Veja as peças tradicionais que o Museu do Dundo tem para lhe mostrar

Ndongala Denda
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Uma paragem obrigatória na Lunda Norte. Capital dessa província, mais conhecida como a cidade dos diamantes, a riqueza e o seu brilho estendem-se além destas pedras preciosas.

A cidade de Dundo, com uma história que remonta ao início do séc. XX, – precisamente 1912 – cresceu ao ritmo da exploração mineira dos diamantes. De povoado em povoado, tornou-se num lugar de negócios com urbanização crescente e também uma referência da tradição e cultura Lunda Tchokwe.

Para além do tesouro da actividade económica de Dundo (exploração de diamantes), com brilhos e tamanhos únicos e qualidade sem igual, a cidade conta com lindas paisagens, rios, incontáveis riachos e ribeiros. A Lagoa de Kila, formada pelos rios de Lubalo e Cuango, a Lagoa do Changando são apenas alguns encantos, que têm atraído cada vez mais os turistas.

Museu do Dundo

O Museu Etnográfico de Dundo, um dos maiores de Angola, tem-se destacado na conservação de acervos culturais diversos, documentação, pesquisa histórica e específica acerca do povo Lunda Côkwe, constituindo uma das principais atracções para os turistas.

O Museu possui nove mil peças etnográficas e 14 mil de história natural, das quais apenas 821 expostas, incluindo as oito resgatadas no ano transacto. Logo à entrada, contempla a cultura Lunda, que prestigia o folclore, destacando-se vestimentas e máscaras utilizadas em rituais, cerimónias e/ou festas e quadros ilustrativos sobre a Mucanda (circuncisão).

Entre os artigos culturais expostos sobressaem a estatueta do Samanhoga (pensador) — que se tornou num símbolo nacional, as máscaras Mwana Phowo (retrata a beleza feminina), Mukishi wa Mwanangana (palhaço do rei) — que corresponde ao sacrifício sagrado e representa os antepassados do chefe tribal, bem como os instrumentos musicais: Ngoma (batuque/tambor), puita, entre outros. Realçam-se, igualmente, a Mahamba (culto aos espíritos tutelares representados por estatuetas e árvores para garantir a protecção diária ou apaziguar espíritos) e a Kafundeji (ritual de iniciação feminina, que prepara a adolescente para a fase adulta, durante a qual ela é instruída para o casamento e a vida sexual activa).

As colecções etnográficas, que constituem o principal objecto social do Museu Regional do Dundo, resultam da primeira campanha designada por “Expedição de Camaxilo”, feita no ano de 1937, e outra de 1939, no Alto Zambeze.

Museu do Dundo em tempo de pandemia do Novo Coronavírus

A pandemia do Covid-19 afectou de forma gradual o dia-a-dia do povo angolano, no segundo mês em que Angola enfrentou a Covid-19 o museu do Dundo teve de fechar as portas para proteger a população e os seus funcionários. Dois meses depois, no mês de Junho, a direcção do Museu Regional do Dundo passou a trabalhar na criação de condições de biossegurança para reabrir as portas ao público, sob fortes medidas de prevenção.

No entanto, as visitas ou actividades de carácter científico deixaram de ser gratuitas e passaram a ser feitas mediante o pagamento de uma taxa, com um valor simbólico, em função da idade e tipo de acção a realizar, estando isentos os menores de três anos de idade e os adultos com mais de 60 anos

Com esta cobrança, o estado angolano pretende criar fontes de receitas para a instituição, à semelhança do que se verifica com outros museus, onde as visitas são feitas mediante o pagamento de uma taxa.

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